A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/10/2021

A contradição de classes econômicas refletem em vários aspectos do cotidiano. Nesse sentido, na canção “Hit do Ano - O Peso da Luta”, o cantor Mc Marks diz “enquanto uns contam, outros ralam pra ter o que comer”, trazendo uma crítica à ausência de soberania alimentar do povo brasileiro enquanto existem grupos beneficiados com a desigualdade. Tendo em vista que a pandemia do vírus da Covid-19 gerou uma crise de desemprego, afetando diretamente no prato dos brasileiros, torna-se responsabilidade do governo de Estado garantir alimentação adequada para a parcela da população que vive em vulnerabilidade dentro desse contexto.

Segundo o Inquérito Nacional, em 2020 mais de metade dos lares brasileiros viveram em insegurança alimentar, entre esses, 19 milhões de pessoas passaram fome. Ainda que, durante os períodos de quarentena e “lockdown”, todos que tivessem necessidade poderiam solicitar o auxílio emergencial, o valor baixíssimo não garante comida para uma família durante mais de uma semana. Pode-se observar que o descaso do governo brasileiro contribuiu para que a situação fosse agravada, já que o país voltou ao mapa da fome mundial dentro desses últimos anos.

No entanto, os efeitos dessa situação precária são ainda mais preocupantes. Como os grupos mais vulneráveis, na questão da fome, envolvem muitas crianças e mulheres grávidas, o desenvolvimentos destes será comprometido pela desnutrição, o que torna um problema de saúde pública. Além disso, gera instabilidade social e política, já que muitos tem que procurar meios ilícitos de sobreviver, aumentando o índice de crimes e de encarceramento, fazendo com que seja uma questão de segurança também.

Por conseguinte, é notório que a questão da fome no contexto pandêmico é resultado de um histórico de desmonte de verbas públicas que garantiam os direitos do cidadão previstos pela Constituição de 1988. Para que isso seja resolvido, é dever do Governo Federal, em parceria com as secretarias de saúde, assegurar que toda a população tenha acesso à alimento suficiente para as três refeições principais, a fim de diminuir os índices dos problemas causados pela fome, para que o país consiga se desenvolver a partir de cidadãos com vivências dignas, isto é, fora da intensa exploração e precarização, possibilitando o crescimento da economia nacional.