A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 26/10/2021
Na obra pré-modernista, “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar a questão da fome em tempos de pandemia, -ainda que seja uma questão de grande valor- esse assunto ainda possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionados a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a falta de cidadania por parte da população.
A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista, John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis aos indivíduos, como o alimento. No entanto, é evidente que tal prerrogativa não se reverbera no Brasil, que apesar de assegurado no artigo 6° da Constuição Federal de 1988, muitas pessoas passam fome no país, acontecimento acentuado na pandemia, onde o aumento do desemprego e dos preços de alimentos cresceram consideravelmente, diminuindo o poder de compra dos cidadãos, tal fato encancara a fragilidade nacional acerca desse âmbito. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios propostos por Rawls e, ao mesmo tempo, dificulta a universalização do alimento à todos.
Outrossim, aluda-se ao pensamento de Tancredo Neves, “cidadania não é uma atitude passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade”. Sob essa perspectiva, elucida-se a falta de cidadania por parte dos brasileiros e dos restaurantes, na qual muitos desfrutam de uma grande quantia de alimentos, e grande parcela dos mesmos são descartados, mesmo ainda estando em bom estado, tais quais poderiam ser doados para pessoas que necessitam, na tentiva de atenuar a questão da fome na nação verde-amarela. Desse modo, não é inesperado que o Brasil, -apesar de almejar formar-se nação desenvolvida- persista em não valorizar a alimentação de modo benevolente.
Dessarte, fica evidente que nem todos têm direito à comida. Logo, cabe ao Ministério da Economia, por meio de projetos, destinar verbas e/ou criar vales alimentação para as pessoas de classes mais desfavorecidas, e ao Ministério da Cidadania, pelas mídias sociais, criar campanhas que visem a conscientização da população sobre a doação de comida, com a finalidade de que todos possam desfrutar de um alimento digno, e a fome no Brasil seja atenuada. Em vista da concretização dessas ações, a sociedade se aproximará da idealização do Policarpo.