A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 19/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase quando se observa a carência na qualidade alimentar da população brasileira, dificultando, desse modo a universalização desse direito universal na prática. Faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar que uma boa alimentação tem que ser rica em nutrientes e vitaminas, essenciais para garantir uma melhor qualidade de vida, além de prevenir doenças e fazer o corpo funcionar de forma adequada. Com o avanço da pandemia de Covid-19, houve um aumento na quantidade de famílias que ficaram sem emprego e não conseguiram comprar alimento para dentro de casa. Segundo uma pesquisa feita pelo IBOPE inteligência e Unicef, cerca de 13% da população brasileira, o equivalente a 20,7 milhões de indivíduos, ficaram sem comer porque não tinham dinheiro para comprar comida. Isso faz com que esse grupo sofra impactos na saúde, como a perda de energia, que afeta a parte cognitiva e física e que pode levar à perda de memória, a quadros de anemia e até à morte. Essas consequências agravam ainda mais a vulnerabilidade à Covid-19.

Ademais, é fundamental pontuar que, em tempos como em que se vive atualmente, é importante agir com rapidez para contornar os problemas. Nesse sentido, o Governo Federal, apesar de ter ofertado o auxílio emergencial no início da crise, cortou a maior parte desses recursos em 2021, causando um aumento no número de pobreza e levando o Brasil de volta ao mapa da fome, o qual não se encontrava desde 2014, de acordo com a pesquisa do movimento Renda Básica que Queremos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, é imprescindível que o Ministério do Desenvolvimento amplie programas como Bolsa Família e Fome Zero, por meio de mais incentivo fiscal por parte do Estado, e crie uma rede de distribuição de alimentos para famílias que não tem condições, a fim de trazer mais segurança alimentar e evitar que os brasileiros passem fome e corram o risco de apresentar sérios problemas de saúde. Tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.