A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 03/11/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierárquica do sistema jurídico brasileiro – assegura a todos os cidadãos o direito à alimentação. Entretanto, a ausência de políticas públicas – inclusive diante da pandemia - capazes de assegurar o efetivo direito constitucional evidencia que os brasileiros estão distantes de viver a realidade idealizada pela Carta Magna. Diante de tal cenário, a solução para combater à fome no Brasil depende de estratégias que descontruam à omissão do Estado e à desigualdade social.
Sob essa perspectiva, o Governo se mostra omisso ao combate à fome no país. A esse respeito, o autor Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadãos de Papel” afirma que a inefetividade constitucional fragiliza a cidadania no Brasil. Nesse sentido, devido à falta de medidas governamentais a pobreza e a fome, que mesmo antes da pandemia, já estavam presentes na sociedade, se tornaram ainda maior diante da pandemia do coronavírus, demostrando, assim, a fragilidade da lei, tal como denunciado por Dimestein. Dessa forma, é inaceitável que mesmo diante de altos impostos pagos ao Estado o direito à alimentação não seja um direito de todos.
Ademais, a desigualdade social é agravada pela omissão do Poder Público. Nessa perspectiva, o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, denuncia a exclusão da parcela mais pobre da sociedade, que negligenciada pelo Estado, é privada de seus direitos básicos. Sob essa ótica, a triste realidade presente na contemporaneidade é marcada pelo aumento da miséria e da fome agravadas pela pandemia da covid-19 e pela desigualdade social, devido o panorama ser ainda pior nas regiões Norte e Nordeste o que evidencia a negligência governamental e a exclusão dos menos favorecidos, assim, como é denunciado no livro de Carolina. Desse modo, enquanto a omissão do governo se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um grave problema social: à fome.
É evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar à problemática. Cabe ao governo federal - órgão responsável pela administração do país - em parceria com o Ministério da Econômia, por meio dos impostos arrecadados, investirem em leis e projetos que combatam a pobreza no país. É atribuição também desses órgãos investirem nas regiões menos favorecidas economicamente. Essas iniciativas teriam a finalidade de descontruir a ineficiência estatal, a desigualdade social e combater à fome, que atinge milhões de brasileiros, e, assim, contribuir para que a alimentação deixe de ser um direito negligenciado.