A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 24/10/2021

Em “ Os Lusídiados “, Camões narra a expansão marítima portuguesa em um viés antropocêntrico, sendo o homem responsável por suas mazelas e conquistas. Fora da ficção, a realidade atual demonstra que a sociedade não se reconhece como responsável pela problemática da fome nos tempos de pandemia. Neste contexto, tornam-se evidentes, como causas, o silenciamento e o individualismo.

É indubitável, nesse sentido, que a questão do silenciamento da situação, esteja entre as perpetuadoras do problema. O filosofo Foucalt, defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate sobre a fome em tempos de pandemia, já que se a sociedade não está ciente da situação, tal não está ocorrendo. Assim, sem um dialogo e debate massivo sobre o assunto, torna-se ainda mais complexa sua resolução.

Outrossim, o individualismo se demonstra como outro perpetuador da problemática. Na obra “ Modernidade líquida “ de Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada fortemente na realidade brasileira no que tange a fome em tempos de pandemia, uma vez que todos estão ainda mais preocupados com o próprio bem-estar e segurança, poucos são os que iram voltar sua atenção aos necessitados.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver o problema. Nessa caso, é preciso que o ministério da educação, em parceria com escolas e empresas das redes sociais, organizem “ Workshops”, em ambientes on-line, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de causas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais eventos devem ser direcionados aos alunos de Ensino médio, porém, o evento deve ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, afim de tratar de forma mais lúdica o tema, facilitando a pratica e entendimento da empatia, tornando, assim, todos cidadãos cientes e atuantes na resolução da problemática.