A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 26/10/2021

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos hoje em um estado temporário e frágil das relações humanas. Essa ideia se vê presente em nossa sociedade atual, mais especificamente no estigma associado à questão da fome em tempos de pandemia, uma vez que grande parte da população não tem conhecimento sobre o assunto e se tornam indiferentes sobre o mesmo. Dessa forma, faz-se necessário medidas interventivas para a solução de tal problema, o qual é agravado não devido somente a uma negligência governamental, como também ao desequilíbrio do sistema capitalista.

Em uma primeira análise, é válido destacar que o agravamento da fome não é uma consequência da falta de alimentos no mundo, mas sim de uma má distribuição da mesma. Nesse viés, o cenário de uma população não afetada pela fome é utópica, pois, mesmo havendo comida suficiente para todos, apenas aqueles com renda mínima necessária tem acesso a ela. Tal situação é resultado do sistema capitalista, uma vez que muitos esbanjam riquezas, enquanto outros não possuem dinheiro para ao menos se alimentar, e, em cenários de crise, como o da pandemia do covid-19, a situação fica ainda mais debilitada.

Além disso, outro fator que contribui para a permanência da problemática é a negligência governamental. Durante momentos de crise, é dever do Estado garantir o bem-estar da população, e principalmente a estabilidade de seus direitos básicos, como o acesso a comida. Entretanto, esse não é o cenário presente no mundo, pois, segundo o índice da UNICEF, em 2020, mais da metade da população mundial enfrentava a fome. Tal situação explicita a desaplicação governamental.

Por conseguinte, é necessário que autoridades do mundo todo, juntamente com entidades da sociedade civil, garantam uma distribuição de comida mais justa, com a utilização de dinheiro do Estado que financie o arranjo de alimentos àqueles necessitados de sua nação, para que assim haja não apenas o direito básico de sua população resguardado, como também, o desenvolvimento da cidadania, pois, assim como Thomas Hobbes decretava, é dever do Estado garantir o bem-estar social.