A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 27/10/2021
‘‘Ordem e progresso’’, esse é o lema político do positivismo exposto na bandeira brasileira. No entanto, o vivenciado em território nacional representa uma antítese a essa divisa, uma vez que, a fome no Brasil, problema a ser enfrentado pela sociedade, culmina desordem e retrocesso no desenvolvimento social. Nesse sentido, deve-se analisar como o descaso governamental e a falta de debate influenciam a problemática em questão.
Nessa perspectiva, evidencia-se a negligência do Poder Público como fator determinante para a permanência do impasse. Sob esse viés, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau defende que cabe ao Estado implantar medidas que garantam o bem-estar coletivo. Entretanto, dados divulgados pela revista Le Monde Diplomatique Brasil revelam que a fome no país cresceu, sobretudo, durante a pandemia, o que levou milhões de brasileiros a um panorama de insegurança alimentar, denunciando, assim, que o aparato estatal infelizmente não cumpre a sua função social. Dessarte, enquanto essa postura de inadimplência governamental não for superada, não será possível ultrapassar esse obstáculo e suas consequências negativas.
Outrossim, convém ressaltar que o problema ainda é pouco debatido na sociedade. De acordo com o filósofo alemão Johan Goethe, ‘‘Nada no mundo é mais assustador do que a ignorância humana em ação’’. Por esse ângulo, é de extrema importância que a sociedade busque se informar e debater de maneira crítica a respeito da questão da fome no Brasil e como ela afeta principalmente pessoas pobres, negras, e de baixa escolaridade. Desse modo, é comum, consoante reportagem publicada pelo Fantástico, em açougues, um aumento da distribuição de ossos como única fonte de alimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Faz-se imprescindível, em vista disso, a dissolução dessa conjuntura.
Torna-se evidente, portanto, que o descaso governamental e a falta de debate na sociedade são as principais causas da problemática em questão. Dessa forma, o Governo Federal — instância máxima dos aspectos econômico-sociais da nação —, coeso ao Ministério da Cidadania, deve, com urgência, adotar estratégias para combater a fome no Brasil, a fim de conter o agravamento desse problema. Adiante, essas ações podem ser feitas por meio da criação do ‘‘Auxílio Alimentação’’ para pessoas em vulnerabilidade social, com o objetivo de atenuar os prejuízos que esse entrave causa e, assim, inteirar sobre os possíveis caminhos para solucionar essa situação. Como efeito social, o contrato rousseauniano, será, enfim, consolidado no cenário nacional.