A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 28/10/2021

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada (sic) a história de uma família nordestina que convive diariamente com o drama da fome. Assim como bem abordado no romance, a questão da fome é uma problemática na realidade brasileira, sobretudo em tempos de pandemia. Nesse sentido, a fim de mitigar os males dessa lamentável situação, é importante destacar como a negligência estatal e a manutenção de interesses de poucos corroboram para essa existência.

A princípio, faz-se necessário refletir acerca do papel imprescindível de uma alimentação balanceada no desenvolvimento do indivíduo. Assim, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia, apontou que adultos que passaram fome na infância tinham maior probabilidade de desenvolver doenças como o diabetes, o que mostra como a fome pode prejudicar até mesmo os mais novos. Dessa forma, milhares de crianças perderam seu sustento nas escolas, sendo da responsabilidade do Estado prover de alguma forma esse alimento retirado.

Ademais, é justo analisar como a pandemia não afetou igualmente todos os brasileiros. Nesse contexto, como estudado por Maquiavel em “O Príncipe”, a função do governante é se manter no poder, sem importar a que condições isso será feito, da mesma forma como acontece no país ainda hoje. Dessa maneira, a manutenção dos privilégios de poucos pode custar a desgraça e miséria dos mais vulneráveis, como governos elitistas que cogitaram cortar o auxílio emergencial, em meio ao caos, dos mais necessitados.

Portanto, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social, aliado a empresas privadas, contratar pessoas em situação de desemprego no Brasil - sobretudo em regiões menos abastadas - para que trabalhem em servir merenda às crianças impedidas de frequentarem a escola, a fim de que se alimentem adequadamente, e em troca do serviço prestado, os trabalhadores ganhariam cestas básicas além da remuneração. Com tal medida, histórias de fome urgente ficarão apenas no âmbito literário.