A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 28/10/2021
As regras sociais impõem determinados comportamentos de adequação social, os quais, assim como o Direito e a Moral, completam a convivência e permitem que esta seja mais ou menos equilibrada. Essas regras, no entanto, divergem substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que a fome em tempos de pandemia cresce acentuadamente, de modo a dificultar a solidificação da harmonia. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da desigualdade social, como também do individualismo social.
Cabe ressaltar, a princípio, que a desigualdade social é fator determinante para a propagação desse entrave pelo Brasil. Analogamente a isso, o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata a luta diária de Fabiano para conseguir alimentos, os quais são suficientes apenas para a sobrevivência de sua família. Não diferente da literatura, na realidade contemporânea, a concentração de renda, ou seja, a riqueza em poder de uma minoria, contribui para que os indivíduos mais carentes convivam diariamente com a fome em tempos de pandemia. Isso porque a paralisação do trabalho informal, isto é, uma atividade desprovida de documentação, é necessária para combater o vírus altamente disseminado.
Simultaneamente, o individualismo social favorece o cenário desafiador da fome em tempos de pandemia no corpo social brasileiro, uma vez que impede o desenvolvimento de atitudes altruístas. Analogamente a isso, tem-se a frase “Toda tragédia só me importa quando bate a minha porta”, da canção de Max Gonzaga. Sob esse viés, entende-se que o homem é um ser individualista e dotado por um campo de visão limitado. Consequentemente, o pensamento escasso impede a criação de políticas públicas voltadas para o combate da fome, como o avanço de campanhas de doação de alimentos. Destarte, fica evidente que o individualismo social prejudica o progresso nacional.
Infere-se, portanto, que a questão da fome em tempos de pandemia é muito prejudicial e deve ser erradicada. Para tanto, o Ministério da Economia deve ampliar as ações de combate à fome em parceria com os governos estaduais e municipais. Isso deve ser feito mediante um pacote de ações a serem incluídas na Lei Plurianual, dentre elas a criação de empregos voltados para a população mais carente que garanta todos os direitos trabalhistas para que todos tenham as mesmas oportunidades em tempos de pandemia, a fim de diminuir a desigualdade social. Além disso, criação de campanhas publicitárias - nas mídias governamentais, por exemplo - que demonstrem a importância das atitudes altruístas na pandemia, com o propósito de aumentar as doações de alimentos para os mais necessitados, contribuindo, assim, para a solidificação da harmonia na sociedade.