A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 04/11/2021
Em “Sweet Tooth”, série de televisão norte-americana, uma crise econômica influenciada por um cenário pandêmico, levou o personagem Grandão e os grupos mais pobres a terem que usar objetos pessoais como moeda de troca para comprar comida, remédio, entre outras coisas. Fora das telas e ainda em um cenário de pandemia, o difícil acesso à comida e a fome crescente no mundo tem se mostrado como um problema de difícil solução. Desse modo, têm-se como ferramentas que fomentam tal cenário a desigualdade social e o aumento elevado dos preços dos alimentos.
Primordialmente, é necessário destacar a fome como um problema de desigualdade social concernente aos poderes do Estado. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias, voltadas para a aplicação do artigo 6º da Constituição federal, que garante, entre tantos direitos, o da alimentação. Tal fato é perceptível ao observar que, justamente as pessoas que se encontram em um estado de vulnerabilidade social, sofreram os impactos de forma mais acentuada. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir uma condição social segura.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o aumento dos preços dos alimentos, como outro fator que contribui para a instabilidade e manutenção da insegurança alimentar. Para entender tal apontamento, é justo salientar que a relação entre baixo poder aquisitivo e disponibilidade irregular de alimentos se configura como um dos maiores impasses no combate à fome. Desta forma, os preços inacessíveis interfere no poder de compra, gera um excedente de mercadorias que serão desperdiçadas decorrentes da pouca saída destas e, por consequência, acarretará em prejuízos aos comerciantes. Sob essa ótica, pode-se afirmar que tal relação propicia efeitos adversos em cadeia, e que necessitam ser revistos.
Destarte, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Logo, é fundamental que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, elabore um conjunto coerente de políticas e investimentos para combater os determinantes da fome e da má nutrição. Tais ações devem, portanto, intervir ao longo das cadeias de abastecimento para reduzir o custo dos alimentos e facilitar o acesso dos pequenos produtores ao mercado, a fim de tornar a compra dos produtos alimentícios mais acessíveis. Desse modo, se tornará possível poupar a sociedade de vivenciar situações como as de Grandão e reduzir a fome em tempos de pandemia.