A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 30/10/2021

De acordo com a ética social de Platão, o indivíduo só é bom se, e somente se, é um cidadão honeroso. Nesse sentido, é válido destacar o caráter perverso dos governantes brasileiros pela incapacidade de garantir a segurança alimentar em tempos de pandemia de COVID-19. Desse modo, faz-se pertinente destacar o mal da desigualdade social associado à evolução do ensino a distância(EAD) como fomentadores da fome no Brasil.

Em primeira análise, torna-se necessário tratar a desigualdade social como fator crítico para o aumento da fome. Nesse contexto, pode-se afirmar que a pátria amada configura entre as 10 nações mais desiguais do mundo, de acordo com o índice de Gini. Dessa forma, confirma a passagem do cantor MC Cabelinho, em “Poetas no Topo 3.3”, ao excertar que os residentes da periferia não vivem, eles sobrevivem à fome e, principalmente, ao descaso governamental.

Em segundo plano, tem-se a atualidade do pensamento do filósofo Pierre Lévy que toda tecnologia produz seus excluídos. Nesse âmbito, na situação de COVID-19 vigente, a educação a distância impede que os alunos de escolas públicas tenham acesso à merenda, violando a segurança alimentar, ademais é um ato inconstitucional. Outrossim, é essencial associar a deficiência do EAD à desigualdade social, tendo em vista a descrição do cantor Kayuá, em “Poetas no Topo 3.3”, sobre a vida na periferia ao dizer que, na geladeira, apenas havia arroz e salsicha, evidenciando a precariedade da alimentação suburbana.

Em virtude dos fatos mencionados, explicita-se o descaso das autoridades em se tratando da segurança alimentar. Portanto, infere-se que o Ministério da Economia, por meio do fornecimento de verba, deve atuar em conjunto com o poder local para que as escolas públicas tornem-se postos de distribuição de merenda a fim de que os alunos possuam acesso àquilo que lhes foi prometido constitucionalmente. Desse modo, será possível mitigar a falta de igualdade por intermédio da educação includente.