A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 30/10/2021

A pandemia da covid-19 surgida no ano de 2020 não só matou milhões de pessoas em todo o mundo, como também permitiu o aumento da fome. No Brasil, assim como em inúmeros países da América, Ásia e África o agravante da fome foi maior. Nesse meio, muitas famílias brasileiras, em quase dois anos de pandemia, tiveram suas situações financeiras e sociais agravadas. Diante dessa problemática, o Estado brasileiro juntamente com a lógica capitalista de busca de lucro desenfreada tiveram um papel determinante nesse contexto.

Em primeiro lugar, o Estado brasileiro, por meio de sequenciais aumento de impostos, por uma falta de ajuda social concreta além de uma permissão de falência de muitos estabelecimentos comercias, ajudou no agravante da fome brasileira. A Constituição Federal de 1988 deixa claro que todo ser humano é digno de ter a alimentação como direito social sustentado pelo Estado. Entretanto, não foi o que se acompanhou diante do aumento para mais de 19 milhões de pessoas, segundo o IBGE, que enfrentam a fome nos dias de hoje. Portanto, um estado que não fornece o básico para sua população, arcará com uma sociedade mais desigual e injusta.

Em segunda análise, o aumento da fome no Brasil, como também no mundo, se dá pelo dinâmica capitalista existente hoje. Como retrata Adorno, sociólogo da escola de Frankfurt, a Indústria Cultural, uma forma de capitalizar a cultura, sempre estimulará o alto consumismo e lucro. Com isso, manipulará muitas pessoas a comprarem sempre mais produtos. Nesse dinâmica, sempre surgirão novas formas de mercadorias, ideias, formas de consumo e os preços sempre irão aumentar, dificultando, especialmente, a alimentação da classe mais simples. Cita-se, como exemplo, o elevado aumento do preço nos mais variados itens do mesmo prouduto em supermercados, como o arroz, óleo de milho, feijão etc visto nesse período de pandemia. Assim, uma forma capitalista de sempre buscar o lucro, sempre vai prejudicar a população e especialmente os de baixa renda.

Dessa forma, a fome em tempos de pandemia se agrava tanto por um Estado incoerente como por uma lógica capitalista desigual. Nesse contexto, o próprio Estado brasileiro deveria, por meio do Legislativo, criar emendas constitucionais que obriguem tanto Governos em posse do poder como também a classe burguesa, dona do capital,  a terem ações afirmativas mais incisivas de combate à fome. Com isso, ajudaria não só milhões de brasileiros a possuir o que comer, como também incentivaria na diminuição de impostos sobre alimentos e serviços essenciais ao cidadão. Logo, um país tão desigual passaria, em alguns anos a compactuar com uma população mais equilibrada e disposta a fazer o Brasil uma nação mais forte.