A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 01/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão da fome apresenta barreiras, principalmente em tempos de pandemia, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto do descaso governamental, o qual não está garantindo um dos direitos estabelecidos pela Constituição de 1988, o direito à alimentação, e é também fruto da grande crise econômica provocada pelo cenário pandêmico .

Precipuamente, é fulcral pontuar que a fome no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no país. Devido à falta de atuação das autoridades e ao descaso governamental em cumprir com o estabelecido na Constituição de 1988, a qual garante o direito à alimentação em seu artigo 6º. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a instabilidade  econômica atual como um agravante do problema. A série “3%”, criada pela Netflix, ilustra uma sociedade em crise que vive em situação precária de extrema pobreza, na qual somente três porcento dos que buscam uma melhor condição de vida acabam por conquistar. Analogamente, o Brasil, em cenário pandêmico, passou por uma recessão econômica, a qual intensificou os casos de pobreza e fome, dos quais poucos conseguiram escapar. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a crise contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a questão da fome, necessitas-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Família e direitos Humanos (MMFDH), principal órgão responsável pelo cuidado mantenedor dos direitos básicos à vida, será revertido em ações que visam o retardamento do problema, como melhor fiscalização da atuação dos setores governamentais. Desse modo, atunuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da fome em tempos de pandemia, e a coletividade alcançará a Utopia de More.