A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 02/11/2021
A constituição federal de 1988, o documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito a alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da fome em tempos de pandemia, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a fome em meio a epidemia. Nesse sentido, provocando um grande colapso entre a população, na qual todos os indivíduos sofrem com a falta do alimento em sua mesa. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de proteção que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à alimentação, oque infelizmente é evidente nenhum país.
Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionador da fome em meio a pandemia no Brasil. O filme O Poço produzido pela Netflix em 2019, conta a história de uma prisão vertical com uma célula por nível. Nela uma única plataforma com alimentos passa uma vez por dia por todas as celas para de cima para baixo, desta maneira fazendo com que os últimos fiquem sem alimentação, na qual os primeiros priorizam o disperdicio sem pensar nos demais. Diante de tal exposto, vimos que não muito diferente da realidade como as pessoas se priorizam e esquecem as demais que padecem de ajuda. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o próprio Governo, por intermédio da criação programas sociais como (Alimento +) na qual disponebilizem cestas básicas e que tenha à alternativa de alcansar pessoas carentes e oriundas de ajuda ou em situação de abandono, a fim da busca de uma solução. Assim, se consolidará uma sociedade mais pessimista, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.