A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 02/11/2021

De acordo com a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Observando o atual cenário brasileiro, pode-se relacionar como um escândalo a fome crescente em tempos de pandemia, já que é uma problemática tratada como habitual pela sociedade. Tal conjuntura perpetua no país em virtude da ineficiência governamental em garantir a segurança alimentar da população. Assim, não só a incoerência legislativa, como também o desemprego no meio pandêmico auxiliam agravando o quadro geral.

Sob esse viés, é válido ressaltar que a falha no seguimento da legislação solidifica a questão da fome. Segundo a Constituição Federal de 1988, é direito de todo cidadão o bem-estar social e a saúde de qualidade, entretanto, é notório que isso não acontece, já que milhares de pessoas estão sofrendo de insegurança alimentar em razão da pandemia da Covid-19. Isso ocorre, porque o Estado não dá o devido suporte financeiro aos cidadãos que estão passando dificuldades durante esse período, o que reflete na posição do Brasil como um país subdesenvolvido com problemas estruturais graves, no caso a subalimentação. Com isso, a vida de muitos indivíduos está comprometida em função dessa incoerência constitucional.

Ademais, observa-se como a alta taxa de desemprego no país alicerça a desnutrição em meios pandêmicos. Consoante a pesquisas do IBGE, aproximadamente 13% da população brasileira está desempregada, o que acarreta na incapacidade das pessoas de comprarem alimentos para a sobrevivência. Tal situação sucede devido à demissão em massa dos funcionários em razão das crises financeiras geradas pelo isolamento social. Assim, a quantidade de empresas fechadas e de indivíduos desempregados cresceu. Fica claro, pois, que os afetados necessitam de um apoio governamental para que possam se alimentar.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Para que o número de pessoas desnutridas no Brasil diminua, urge que o Governo Federal ceda auxílios financeiros aos indivíduos necessitados, a fim de que esses sejam capazes de comprarem seus alimentos e não passem fome. Isso poderá ser feito por meio de recursos, que serão destinados pelo Ministério da Economia, e a concessão desses aos cidadãos de baixa renda ou desempregados. Outrossim, cabe ao Ministério do Trabalho fiscalizar as demissões durante a pandemia, para que nenhuma pessoa seja demitida sem justa causa e consequentemente ficar suscetível a falta de alimentação. Dessa maneira, não será possível relacionar a questão da fome no país como um escândalo.