A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 04/11/2021

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil voltou para o mapa mundial da fome em 2021: 41% dos brasileiros convivem com a fome ou algum grau de insegurança alimentar - estado em que o indivíduo não sabe se terá condições de se alimentar posteriormente. Decerto, esses dados foram alavancados pela pandemia de Covid-19, já que outros fatores que influenciam de maneira direta ou indireta na alimentação também sofreram com as consequências decorrentes do vírus. Portanto, é necessário analisar esses elementos de maneira a combater esse problema nacional.

Precipuamente, cabe salientar que um dos principais motivos para a situação atual na qual a população se encontra é resultado de outro problema agravado pela pandemia: o desemprego. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 14 milhões de brasileiros estavam desempregadas até o mês de julho de 2021, justificando o fato de que as pessoas não possuem recursos financeiros para obter a comida necessária para a sua nutrição adequada e, assim, comprometendo-a. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, e atitudes cabíveis devem ser tomadas.

Outrossim, o atual panorama da inflacionário é o outro fator que dificulta a alimentação dos indivíduos. Desse modo, o aumento dos preços de alimentos como o arroz e o feijão, que ficaram quase 60% mais caros, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas, tornou a refeição fundamental da maior parte da população algo extremamente fora da atual realidade financeira do país, que não possui a capacidade de acompanhar a elevação absurda dos custos alimentícios. Por conseguinte, esse quadro faz com que a alternativa encontrada seja a busca por alimentos mais baratos, mas com valores nutricionais pobres e que podem afetar a saúde. Dessa forma, uma política de controle de preços se faz imprescindível para mudar essa situação.

Destarte, a atuação das autoridades é de extrema importância para atenuar a questão da fome, intensificada pelos tempos pandêmicos. Para isso, urge que o Ministério da Saúde, órgão federal resposável pela manutenção da saúde no Brasil, em parceria com instituições financeiras, promova o devido apoio aos pequenos agricultores, responsáveis pelo cultivo de grande parte dos alimentos que são consumidos no país, por meio de subsídios que possibilitem um processo de plantio e colheita de modo a não resultar no aumento dos preços, o qual impacta o consumidor e diminui o seu poderio de compra. Com essa ação, o intuito é congelar a subida de preços e proporcionar a oportunidade para que o brasileiro tenha recursos suficientes para comprar a comida necessária para a sua sobrevivência, abrindo as portas para que o Brasil possa sair das tristes estatísticas do mapa da fome mundial.