A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 07/09/2022
No poema, o Bicho, de Manuel Bandeira, escrito em janeiro de 1947 diz – “Vi ontem um bicho na imundice do pátio, catando comida entre os detritos. O bicho, meu Deus, era um homem”. De maneira análoga a ficção, é possível analisar que mesmo após sete décadas da publicação desse poema, o Brasil continua enfrentando problemas relacionado a fome, principalmente com a pandemia. Isso porque a alta taxa de desemprego em junção ao salário mínimo que muitas vezes é insuficiente, dificultam o combate desse revés.
Em uma primeira abordagem, é inegável que a alta taxa desemprego durante a pandemia é uma das vertentes que explicam essa questão, já que segundo o IBGE a taxa de desempregados atingiu 12,6% no terceiro trimestre de 2021. Diante disso, debater sobre essa problemática é de suma importância, visto que a fome provém da falta de renda das famílias.
Outro fator existente, é o salário mínimo brasilero que não consegue suprir despesas, como a alimentação. Segundo o Dieese, mesmo com o reajuste de 10,18% dado ao salário mínimo, o trabalhador remunerado pelo piso salárial ainda assim, não consegue adquirir os produtos alimentícios básicos. Sob essa perspectiva, a alimentação - assegurada no Artigo 6º da Constituição de 1988 - está ameaçada.
Portanto, com o objetivo de minimizar os cenários da fome durante a pandemia em nosso país, é necessário que os governos estaduais, desenvolvem politicas de criação de emprego, para uma melhor distribuição de renda. E fica ao encargo do governo federal a realização de reajustes periodocos de acordo com a econõmia, para que haja equilibrio entre o valor recebido e o valor gasto em produtos. Assim, a ficção do poema “o bicho” deixará de ser uma realidade com o tempo no Brasil.