A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 08/11/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é quando nós nos habituamos a eles”, afirmação atribuída à filósofa francesa Simone Beauvoir, pode facilmente ser aplicada a questão de fome em tempos de pandemia, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática, é o fato da população se habituar  com essa realidade, visto que, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) cerca de 30% da população mundial não tem acesso à alimentação adequada.

Sob essa análise, vale-se destacar que a questão da fome está completamente entrelaçada ao conceito de desigualdade social, sendo portanto, presente na estratificação social da sociedade contemporânea. Nesse ínterim, desde os primórdios da globalização a questão da fome já é um problema a ser debatido, conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma em seu livro “modernidade líquida”- a sociedade perde seus laços sociais, onde os indivíduos não são mais coesos entre si, consequentemente abrangindo espaço para o aumento da desigualdade, visto que a falta de empatia social está abundante.

Dessarte, é evidente que devido a pandemia do covid-19 as problemáticas se agravaram, principalmente em razão  da economia e saúde, bem como afirma os dados do “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar” cerca de 55,2% da população brasileira estão em situação grave ao acesso à alimentação, sendo nítido, portanto, que a porcentagem apresentada atinge a mesma parcela de pessoas em extrema pobreza.

Em suma, consoante a Simone Beauvoir propôs em sua sentença, a questão da fome é uma problemática global, no qual advém do Estado tomas as devidas providências, conforme afirma o artigo 1 da Declaração dos Direitos Humanos- “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”, sendo portanto, a alimentação é direito à todos, independente de sua classe social.