A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 09/11/2021
Na obra ‘‘O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utiliza célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante populacional em virtude da presença da fome no cotidiano mundial em tempo pandêmicos. Sob essa ótica, ressalta-se, que o contexto hodierno é formado, principalmente, pelo surgimento da recessão econômica e pelo agravamento das desigualdades histórico-sociais. Logo, rever a situação miserável é inprescindível para solucionar essa vicissitude e garantir qualidade de vida a todos.
Nesse raciocínio, destaca-se, que o cenário financeiro atual, característico no desemprego e na alta dos preços alimentícios, fomenta na dificuldade de alimentação do povo. Sob esse viés, percebe-se, que a dificuldade rentária do Estado frente à pandemia afeta diretamente o bem estar dos cidadãos, uma vez que a perda de empregos minimiza o consumo de comida e obriga a dependência de doações e auxílios emergenciais. Então, a triste realidade faminta atesta na prática o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, em que compara o corpo biológico e a sociedade, a qual é formada por partes que interagem entre si, de fato, a ausência ou o estrago na alimentação faz-se oriunda da demissão laboral durante a crise da pandemia.
Nesse tocante, enaltece-se que, historicamente, determinados grupos marginalizados, como pretos, nordestinos e africanos, lutam constantemente com a falta de alimentos devido à injusta acessibilidade cidadã e a distinção social. Acerca dessa lógica, atualmente essa guerra agravou, já que fatores primitivos, como a baixa escolaridade e a precariedade dos lares ganharam um forte aliado, os efeitos do coronavírus, assim, pioraram a pobreza nutricional desse contingente. Sob essa perspectiva, torna-se possível verificar no cotidiano os lamentáveis dados do IPEA(Instituto de Pesquica Econômica Aplicada), o qual destaca o aumento de nove milhões de brasileiros nessa condição desde o início do surto viral.
Portanto, diante dos fatos supracitados, observa-se a necessidade de discussão para exaltar a prevenção desse malefício piorado recentemente. Desse modo, cabe as instituições formadoras de opiniões, tais como as escolas, em parceria com ONG’s(Organizações Não Governamentais) mediante encontros semanais, fazer palestras e multirões solidários à comunidade a fim exaltar a cidadania e incitar a empatia. Outrossim, urge do Governo, por intermédio de reuniões, reorganizar a verba pública no intuito de respaldar o acesso igualitário constitucional e formular plano sanitarista. Dessa forma, a expressão retratada no quadro expressionista não fará parte dos rostos da população no século 21.