A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/11/2021

No século XIV, o continente europeu foi palco de uma série de mazelas socais, a citar a Grande Fome, responsável por dizimar substancial parcela da população, dada a escassez de comida. Entretanto, tal situação não destoa do cotidiano da contemporaneidade, haja vista que o pleno acesso aos alimentos continua a ser distante de muitos brasileiros durante períodos de graves crises, por exemplo, em meio a pandemia do coronavírus. Nesse sentido, torna-se premente destacar as causas da problemática, como a desigualdade econômica e a omissão governamental em atuar na contenção do seu avanço.

Diante desse cenário, é lícito postular que o baixo acesso à renda por parte dos mais pobres possibilita o agravamento do problema. Sob esse prisma, de acordo com dados mais recentes do IBGE, o Brasil, em 2020, passou a ocupar a nona posição de países mais desiguais do mundo. Dessa forma, é perceptível como a pandemia intensificou a marginalização economica da população brasileira, seja em detrimento dos altos índices de desempregos, seja pelo colapso na saúde que impediu milhões de trabalhadores de exercerem seus ofícios. Assim, nota-se que, sobretudo, em locais periféricos, onde predominam os empregos informais, isto é, sem regulamentação jurídica para amparar a massa de desempredados formada, os impactos da crise mostram-se mais intensos, posto que garantias básicas, como a alimentação, deixam de ser assegurados.

Ademais, cabe pontuar a ínfima atuação do Estado no problema. Nesse viés, o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, discorre acerca de como, no Brasil, o conceito de cidadão não atinge a totalidade, haja vista que ser exercício está concentrado como benefício de poucos. Desse modo, ao analisar a situação da fome no país, a teoria do pensador é comprovada, ao passo que, apesar da Constituição Federal, no artigo 6, elencar a alimentação como direito social de todos os brasileiros, a insegurança alimentar continua a ser uma realidade na vida de uma parcela da nação, majoritariamente, entre os mais pobres. Lê-se, pois, como nociva que a desnaturação da cidadania dos indivídos ocorre a preço da ausência de políticas eficazes de distribuição de comidas e recursos que possibilitem a garantia da premissa constucional de forma universal.

Portanto, medidas são necessárias para resolver à problemática. Para isso, o Governo Federal deve acabar com a fome no país, por meio da distribuição de cestas básicas para a população vulnerável, bem como a criação de auxílios financeiros eficazes para famílias em quadro de subnutrição, de modo a garantir não só a saúde dos individuos, mas também a dignidade humana. Espera-se, com isso, ao estender a cidadania para todos, possibilitar caminhos para distanciar o país do mapa da fome e tornar o acesso ao alimento um direito universal.