A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 09/11/2021
Na Grécia Antiga, a política do pão e circo proporcionou aos indivíduos gregos a camuflagem da real situação precária do momento, buscando alimentar a população com fome e entreter com os jogos olímpicos. Trazendo para os dias atuais, essa realidade pode ser observada no contexto da pandemia, uma vez que são uma das consequências da situação de crise mundial. Afinal, é a partir de fatos sociais, como a desigualdade social e individualismo, que consequências desastrosas envolvendo a fome são perpetuadas.
Ao se analisar a questão da fome na pandemia, percebe-se que um dos fatores precursores de tal situação é a desigualdade social, uma vez que essa discrepância promove a incompatibilidade com os recursos mínimos para a manutenção da vida por uma parte da população, a qual está sendo agravada com a pandemia. Tal realidade já fora analisada ao redor do mundo pelo Coeficiente de Gini, o qual indica uma enorme disparidade entre as classes sociais. Nesse sentido, pode-se reparar o individualismo do homem nas relações sociais, representado pela falta de empatia e o olhar unidirecional com a situação dos demais membros da sociedade. Essa conjuntura pode ser aludida ao pensamento de Durkheim acerca do individualismo do homem, o qual afirma que o ser humano é naturalmente individual.
Outrossim, nota-se também que a garantia de direitos individuais ofertadas pelo contratualismo com o Estado está corrompida, visto que essa condição está em ascensão pela pandemia. Tal direito está instituído em constituições e declarações de direitos nos países, como a Constituição Federal de 1988 do Brasil, a qual garante aos cidadãos os direitos individuais, como o acesso à alimentação. Nesse âmbito, o acesso à comida mostra-se sem equidade de acordo com a classe social do indivíduo em questão, chegando a ter pessoas que não conseguem possuir o mínimo para sobreviver no contexto pandêmico. Esse contexto pode ser observado no enredo do filme “O poço”, o qual representa metaforicamente o declive das classes sociais e a disponibilidade de alimentos para aquele nível.
Portanto, é notório o quanto o combate à fome é importante para o desenvolvimento social. Logo, é necessário que o Estado promova campanhas beneficentes de cestas básicas para a população em estado crítico de miséria, por meio da liberação de recursos pelo Ministério da Cidadania a fim de cessar a necessidade imediata da população mais vulnerável. Além disso, faz-se fundamental que empresas ampliem a contratação de pessoas, por meio da ampliação de serviços e desenvolvimento sustentável, com o objetivo de proporcionar emprego e estabilidade financeira para a manutenção da vida. Assim, as próximas gerações desfrutarão de uma realidade diferente da atual.