A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 10/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidas no semblante de um personagem envolvido por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, nota-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo agravamento da fome durante o momento pandêmico é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a crise sanitária.
Primeiramente, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a insegurança alimentar. Esse contexto de inoperância das eferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Bauman, que as descreve como presente na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa égide, devido à baixa atuação das autoridades, o número de pessoas que estão vivendo diante do abismo da fome no Brasil quase dobrou em relação aos tempos de estabilidade sanitária, por conta da pouca dinâmica das ações de controle da pandemia. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudanças dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Em outro ponto, é igualmente preciso apontar o momento pandêmico como outro fator que contribui para a manutenção da fome. Posto isso, de acorco com dados do IBGE, a pandemia provocou a perda de mais de 40% dos postos de trabalho. Ainda, sob a analise do mesmo instituto, a renda das familias brasileiras cairam em mais de 60%. Diante de tal exposto, a crise na saúde provoca repercute em todas as áreas, visto que necessita de medidas restritivas para controlar a efermidade que tormenta todo país. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, é inadiável a necessidade de superar o desafio frente à questão da fome na pandemia. Diante disso, é preciso que o Ministério da Economia crie um porgrama de distribuição de alimentos, por meio de uma parceria com os Municípios, promovendo a entrega desses alimentos a partir de um mapeamento da Secretaria de Ação Social e do fornecimento nas casas dos cidadãos. Dessa forma, a população poderá ter acesso ao alimento e se protegerá da doença que assola a coletividade. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.