A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 10/11/2021

Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor Edvard Munch utiliza célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante populacional em virtude da presença da fome no cotidiano mundial em tempos pandêmicos. Sob essa ótica, ressalta-se que o contexto hodierno é formado, principalmente, pelo surgimento da recessão econômica e pelo agravamento das desigualdades histórico-sociais. Logo, rever a situação miserável é imprescindível para solucionar essa vicissitude e garantir qualidade de vida a todos.

Nesse raciocínio, destaca-se no cenário financeiro atual o desemprego e a alta dos preços alimentícios como empencilhos na alimentação do povo no país. Sob esse viés, a dificuldade rentária e o despreparo do Estado frente à pandemia afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos, já que a perda de emprego minimiza o consumo de comida e obriga a dependência de doações e auxílio emergenciais. Acerca dessa lógica, a triste realidade faminta atesta na prática o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que compara o corpo biológico e a sociedade, a qual é formada por partes que interagem entre si. De fato, a ausência e o agravo na alimentação faz-se oriunda da demissão laboral durante a crise da pandemia.

Nesse tocante, enalte-se que, historicamente, determinados grupos marginalizados, como pretos, nordestinos e africanos, lutam constantemente com a falta de alimentos devido à injusta acessibilidade cidadã. Acerca dessa lógica, essa guerra agravou, já que fatores primitivos, tais como a baixa escolaridade e a precariedade dos lares ganharam um forte aliado, os efeitos dos cronavírus, por conseguinte, prioraram a qualidade nutricional desse contingente. Sob essa perspectiva, torna-se possível verificar no cotidiano os lamentáveis dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o qual destaca o aumento de nove milhões de brasileiros nessa condição alimentar desdo o início do surto viral.

Portanto, diante dos fatos supracitados, observa-se a necessidade de discussão para exaltar a prevenção desse malefício piorado recentemente. Desse modo, urge das instituições formadoras de opiniões, por exemplo escolas, em parceria com ONG’s (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, fazer palestras socioeducativas à comunidade no intuito de exaltar a cidadania e incitar a empatia. Outrossim, cabe ao Governo Federal, por intermédio de reuniões, reorganizar a verba pública a fim de respaltar o acesso igualitário constitucional e formular plano sanitarista. Dessa forma, o sentimento retratado no quadro expressionista não existirá nos rostos da população no século 21.