A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 11/11/2021
Na obra “O grito”, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utilizou célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante populacional em virtude da presença da fome no cotidiano mundial em tempos pandêmicos. Sob essa ótica, ressalta-se que o contexto hodierno é constituído, principalmente, pelo surgimento da recessão econômica e pelo agravamento das desigualdades histórico-sociais. Logo, rever a situação miserável é imprescindível para solucionar essa vicissitude e garantir qualidade de vida à todos.
Nesse raciocínio, destaca-se no cenário financeiro atual, o desemprego e a alta dos preços alimentícios como empecilhos na nutrição do povo no país. Sob esse viés, a dificuldade rentária e o despreparo do Estado frente à pandemia afetam diretamente o bem-estar dos cidadãos, já que a perda de emprego minimiza o consumo de comida e obriga a dependência de doações e de auxílios emergenciais. Acerca dessa lógica, a triste realidade faminta atesta na prática o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que compara o corpo biológico e a sociedade, a qual é formada por partes que interagem entre si. De fato, a ausência ou o agravo da alimentação faz-se oriunda da demissão laboral durante a crise do contágio do coronavírus.
Nesse tocante, enaltece-se que, historicamente, determinados grupos marginalizados, como pretos, nordestinos e africanos, lutam constantemente com a falta de alimentos devido à injusta acessibilidade cidadã. Nessa perspectiva, essa guerra agravou, já que fatores primitivos, tais como a baixa escolaridade e a precariedade dos lares ganharam um forte aliado na pandemia, a privação da variedade de mantimentos na refeição, que por conseguinte, pioraram a qualidade nutricional desse povo. Sob essa perspectiva, torna-se possível verificar no cotidiano, os lamentáveis dados do IPEA (Instituto de Pesquica Econômica Aplicada), o qual destaca o aumento de nove milhões de brasileiros nessa condição alimentar desde do início do surto viral.
Portanto, diante dos fatos supracitados, observa-se a necessidade de discussão para exaltar a prevenção desse malefício piorado recentemente. Então, cabe ao Governo Federal, por intermédio de reuniões, reorganizar a verba pública a fim de investir no mercado econômico e propor acesso igualitário constitucional. Outrossim, urge das instituções formadoras de opiniões, por exemplo escolas, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, fazer palestras socioeducativas à comunidade no intuito de exalçar a cidadania e incitar a empatia. Dessa forma, a emoção ilustrada no quadro expressionista não existirá nos rostos da população hodierna.