A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 13/11/2021
O pintor expressionista Vicent Van Gogh, em sua obra “Os Comedores de Batata”, revelou um cenário de pobreza e angústia de uma família, que, em torno de uma mesa de jantar, dividia esse único alimento, enquanto conversavam com semblante de preocupação. Para além dessa imagem, a temática da fome -sobretudo em tempos de pandemia- ainda se perfaz relevante. Nesse panorama, o passado marcado pela insegurança alimentar e a ausência de políticas eficazes de combate a essa problemática erguem-se como causadores da grave fome atual. Cabe-se, então, buscar meios para melhorar isso.
Em uma primeira análise, o complexo cenário de fome global possui raízes históricas, principalmente em países mais pobres, problema agravado pela questão da pandemia. Isso porque o aumento do desemprego e a estagnação das indústrias durante o período de “lockdown” impactaram nas questões econômicas das nações e de seus cidadãos, haja vista a priorização de assuntos relacionados ao Covid, em detrimento dos aspectos socioeconômicos das nações, o que aumentou a quantidade de indivíduos que sofrem com a questão da fome. De acordo com o SOFI 2021, o ano pandêmico foi marcado pelo aumento da insegurança alimentar no mundo, isso reflete os impactos no cotidiano dos mais pobres. Dessa forma, se faz preciso reverter essa caótica conjuntura desumana.
Ademais, vale ainda salientar que o inadmissível contexto de fome sofrida por inúmeros indivíduos é subproduto da secundarização estatal acerca dessa pauta. Essa correlação pode ser estabelecida em decorrência da ausência de políticas públicas eficazes de combate e de gerenciamento dessa pauta, inclusive durante a pandemia, haja vista a inclusão de expressiva parcela da população no nível de pobreza e, consequentemente, em estado de insegurança alimentar, o que mostra-se responsável pelo crescimento da desnutrição. Simon Schwartzman, nesse sentido, a partir do conceito de “Neopatrimonialismo”, definiu que o Estado se apropria de sua função pública para satisfação própria de seus interesses particulares, o que se afasta da busca pela solução da questão da fome. Dessa maneira, se faz preciso reverter essa lógica de ignorância às necessidades sociais das nações.
Torna-se evidente, portanto, que, apesar da origem histórica da problemática e da ausência de proteção governamental contra a fome, é preciso resolver essa questão. Para efetivar esse quadro, é necessário que a ONU - por intermédio do Programa Mundial de Alimentos- faça, em parceria com os governos locais, a criação do projeto “zerar a fome pandêmica”, no qual ocorra o combate à insegurança alimentar. Isso deve ocorrer por meio da criação de um fundo econômico comum que possibilite a compra e a distribuição de comida aos países que sofrem com essa crise, para que assim os indivíduos possam se alimentar. Espera-se, então, que o cenário de Gogh pertença apenas à arte.