A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 13/11/2021
No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratado a constante luta de Fabiano e sua família pela sobrevivência, os quais têm de lidar com a miséria e outras adversidades. O cenário da obra não é tão distante da realidade brasileira, principalmente sobre a fome, que se intensificou durante a pandemia. Dentre suas principais causas, destaca-se a ineficiência estatal em auxiliar os marginalizados e a crise econômica e social que assola a nação.A priori, é necessário entender a problemática abordada e explicitar seus agravantes para que seja possível solucioná-la.
Em primeiro lugar, a carência de ações públicas eficazes colabora para o aumento do desamparo de alimentos. Segundo a obra “o Cidadão de Papel”,Gilberto Dimmesntein, jornalista brasileiro, faz uma crítica a Constituição Cidadã de 1989, que assegura direitos normativos não efetivados na prática, isto é, estabelece-se uma “cidadania de papel”. Aliando a ótica do autor à realidade,nota-se que há um descaso público, evidenciado pela ausência de projetos sociais que atendam a demanda e consigam subsididar os mais desafortunados, comprovado pela pesquisa da Organização das Nações Unidas que diz que cerca de 30% da população global nao tinha acesso a alimentação durante a pandemia, tendo como um dos principais agentes no contexto brasileiro a má-gestão estatal.
Em segundo lugar, consequencialmente ao período anômico, a falta de circulação de capital corrobora a indigência de mantimentos. Essa análise pode ser feita pois a taxa de insegurança alimentar acompanha locais menos desenvolvidos, ou seja, está presente em áreas com níveis mais alarmantes, como as regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo estudos da ONU. Esse fenômeno ocorre pois, assim como em determinados momentos históricos - tal qual a crise do café - em períodos de desordem, que nem a pandemia, a desigualdade social faz com que o número de desfavorecidos aumente, já que com a economia em baixa muitos patrões acabam demitindo seus funcionários que, por sua vez, não têm aonde recorrer. Em suma, é imperativo a necessidade de reconhecer a gravidade dos fatos e trabalhar em prol do coletivo.
Com base no exposto, evidencia-se que a fome no Brasil durante a pandemia é um problema a ser solucionado. Portanto, cabe à secretaria municipal desenvolver “vales refeições” gratuitos que forneçam o acesso à almoço e janta para aqueles que recebem menos de um salário mínimo no mês,a fim de suprir a demanda nutricional. Além disso, compete ao Ministério da Economia realizar providências como a inclusão de desempregados em cargos públicos, tal como obras, para que se aqueça a situação econômica permitindo o acúmulo de capital dos empregados e chefes. A posteriori, a terra tupiniquim se tornará um melhor lugar para viver, deixando a memória de um país despreparado apenas nos livros.