A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 15/11/2021

O romance “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. Tal obra mostra-se distante da realidade pandêmica no tocante à questão da fome, problema ainda a ser combatido no mundo. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da ineficiência dos órgãos públicos, mas também pela alta desigualdade social. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em setores de distribuição de alimentos deriva do poder público, no que concerne a criação de mecanismos os quais cobririam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social, para assegurar os direitos fundamentais e garantir relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno global, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, a população fica majoritariamente vulnerável à fome, outrossim, segundo dados da UNICEF, em 2030 estima-se que 30 milhões de pessoas passarão fome por conta dos efeitos causados pela pandemia da COVID-19. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.

Além disso, o excesso da desigualdade social na pandemia configura-se como outro desafio da problemática. De acordo com a série 3%, tal conceito abordado é materializado no cenário atual, haja vista que, retrata uma sociedade dividida por uma ponte, um lado é marcado pela fome e pobreza e o outro por abundância e riqueza, para adentrar no lado rico, os participantes devem fazer uma seleção que pode custar suas vidas, o que consequentemente, mostra o desespero das pessoas para conseguir uma vida sem fome e miséria. Logo, tudo isso eleva a questão da fome em tempos de pandemia, já que a falta de apoio público e social contribui para a perpetuação desse quadro relatório.

Assim sendo, torna-se indubitável a presença de medidas públicas e coletivas para combater a questão da fome no cenário pandêmico. Posto isso, cabe o empenho da Organização das Nações Unidas (ONU) no estabelecimento de campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos para os locais do globo que mais foram afetados pela pandemia, com o intuito de reduzir aos poucos os efeitos da fome causada pela paralisação. É válido ressaltar os investimentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na estimulação de empregos em locais com alto índice de demissões durante a pandemia através de incentivos fiscais, a fim de sanar os prejuízos do excesso de demissões (como a fome) que houve neste período.