A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 16/11/2021
A Revolução Verde, ocorrida na metade do século XX, possibilitou a ampliação de alimentos por meio de inovações tecnológicas na agricultura. Paradoxalmente, hoje, no Brasil, a questão da fome, em tempos de pandemia, constitui um quadro problemático social, não só devido à inércia estatal, mas também à priorização da agricultura de exportação em detrimento ao modelo familiar de produção de alimentos. Assim sendo, é necessário avaliar os fatores que causam a problemática.
A princípio, segundo o filósofo John Locke, é dever do estado garantir o bem estar social, no entanto isso não ocorre no Brasil. Embora a Revolução Verde, iniciada nos tempos do “Milagre Econômico”, tenha aumentado significativamente a produção de alimentos, a fome já era uma situação preexistente no país. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar em Contexto de Covid, estima-se que a situação mais severa de falta de alimentos atinge justamente uma parcela que já era vítima da extrema pobreza. Desse modo, é indubitável a dissolução desse fator agravante da problemática social exposta para que se possa alcançar o bem comum.
Além disso, é importante ressaltar que a priorização da agricultura de exportação, em detrimento ao modelo de produção familiar, constitui um agravante da problemática social. De fato, embora o Brasil tenha muitas políticas voltadas para o agronegócio, poucas são voltadas para a agricultura familiar. Por sua vez, este é o modelo de produção de alimentos responsável por gerar a maior parcela de empregos no setor primário. Assim sendo, esse agravante gera, não só uma má distribuição de renda na população brasileira, mas também torna indisponível para o brasileiro grande pare do alimento produzido no país. Por fim, citando o filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso, “a essência é a mudança”, e atitudes devem ser tomadas para reverter esse quadro social.
Diante do que foi exposto, é mister a adoção de medidas que visem solucionar o quadro problemático da fome em tempos de pandemia. É necessário que o Ministério da Agricultura, em parceria com o Ministério do Trabalho, elabore projetos e amplie as ações que visem incentivar a geração de empregos na área mais básica da agricultura, à exemplo de incentivos fiscais para modelos de produção familiar de alimentos que priorizem a contratação formal de pessoas que estão no limiar da extrema pobreza. De tal modo, haverá uma redistribuição de renda de forma gradual, possibilitando que mais pessoas sejam retiradas da situação de vulnerabilidade social e tenham maior acesso aos alimentos. Destarte, se poderá, assim, ter um ambiente mais democrático para a população brasileira.