A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 18/11/2021
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os cidadãos possuem direitos inalienáveis, como por exemplo, a garantia à vida. No entanto, com o aumento da fome causada em tempos de pandemia da COVID-19, essa não é a realidade na contemporaneidade. Dessa forma, é imprescindível o debate sobre a questão, que tem como causa tanto a desigualdade social, como a cultura da agroexportação.
Nessa linha de raciocínio, é importante ressaltar que a desigualdade social contribui para o aumento da fome, como no caso do Brasil, em tempos pandêmicos. Segundo uma pesquisa realizada pelo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da ONU, 30% da renda do país é concentrada nas mãos de cerca de 1% da população. No entanto, o quadro tende a agravar durante a pandemia, já que, essa classe mais abastada continua trabalhando, por meio de home-offices, enquanto que a classe baixa brasileira, vinculada a ofícios mais informais, não tem essa oportunidade. Dessa maneira, o grandiente social brasileiro tende a aumentar, dificultando o acesso aos alimentos por parte do povo.
Ademais, é oportuno comentar que os países agroexportadores são os que mais sentem os danos causados pela problemática. De acordo com o relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), 21% da população na África sofre com a fome durante a pandemia. Esses números só corroboram o fato de que apesar da Revolução Verde, que ocorreu no século passado, ter mecanizado e otimizado a agricultura, ela não diminui a fome nos países onde são fabricados esses alimentos. Dessa forma, por mais que essas nações gerem uma grande quantidade de produtos agrículas, a população local não recebe os benefícios dessa revolução, pois ela está voltada para as necessidades do mercado externo.
Portanto, visando mitigar os entraves à resolução desse poblema, algumas medidas são necessárias. Primeiramente, é responsabilidade da ONU, organização com forte influência mundial, incentivar os governos dos países-membros a diminuirem a desigualdade social em suas nações, por meio de políticas públicas, com fito de otimizar o acesso aos alimentos necessários por parte do cidadão. Além disso, é importante os governos locais oferecerem auxílios emergenciais para as pessoas que são impedidas de trabalhar durante a pandemia, a fim de não deixá-las sem renda para suas necessidades básicas, como se alimentar. Por fim, é necessário, por parte dos executivos de países agroexportadores, que seja revista a política de agroexportação, com o propósito de diminuir a fome nesses locais. Assim, o direito inalienável da vida será de fato, uma garantia e não apenas uma teoria da Declaração Universal dos Direitos Humanos.