A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 16/11/2021
No livro “O cidadão de papel”, o autor e jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein explora a realidade dos direitos constitucionais brasileiros. O escritor comenta na natureza teórica incumbida a ditos direitos, isto é, sendo discutidos academicamente, porém não aplicados em prática para o benefício do cidadão. Um exemplo pertinente às ideias expostas pela obra é a situação alimentícia contemporânea no Brasil, na qual, apesar das garantias de alimento a todo cidadão por parte do 6º artigo da Constituição Federal, a incompetência estatal combinada aos efeitos da pandemia oriunda do vírus COVID-19 causam insegurança alimentar difundida entre a população.
Antes de tudo, é fato que o problema da fome no Brasil surge por, em grande parte, incompetência governamental. Muito como descrito na obra de Dimenstein, o Estado brasileiro torna os direitos de seus cidadãos conceitos unicamente acadêmicos e, logo, não praticados. Algo evidente pelo fato que mesmo antes da pandemia mundial de 2020, o número de brasileiros que viviam seus dias sem garantia alguma de uma próxima refeição chegava já a 10 milhões segundo artigo, da Globo, de 2021.
Em adição às condições lamentáveis decorrentes da falta de atitudes significativas por parte do governo, é a crise causada pelo vírus COVID-19, que levara não somente a uma inflação dos já enormes números de pessoas sofrendo de insegurança alimentícia no Brasil, porém também a uma maior separação das relações empáticas entre o povo. A noção de que relacionamentos interpessoais construtivos baseados em empatia estão em declínio no mundo atual fora devidamente explorada pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Tal efeito vem sendo exacerbado pela crise mundial do corona vírus, fato que é evidenciado tanto pelas atitudes desrespeitosas para com a seriedade do “lockdown” quanto pelos infames movimentos “antivacinas”, ambos documentados pelo CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), e que vêm prologando o atual estado mundial causador do aumento do número brasileiros sofrendo de insegurança alimentar para 19 milhões de acordo com levantamento apresentado na Comissão de Singularidade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Portanto, tendo em mente o dano causado ao povo do Brasil, é de exímia urgência que o Ministério da Cidadania, órgão responsável por iniciativas públicas sociais, inaugure, por meio de fundos disponibilizados pelo governo federal, um programa de ajuda àqueles em falta de alimento. Tal iniciativa concederia benefícios sociais, como diminuição de taxas, às pessoas que ajudem a parcela faminta da população com doações e serviço públi