A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 18/11/2021

“O poço” é um filme que buscou retratar a falta de cooperação entre os níveis de uma prisão vertical na luta contra a fome, haja vista que os prisioneiros das celas superiores recebiam alimentos de qualidade enquanto os níveis menores ganhavam os restos dos demais. Fora da ficção, sabe-se que a questão da fome intensificou-se em virtude da pandemia. Sendo assim, cabe analisar quais fatores favorecem esse quadro, ligado a negligência governamental e a desigualdade social.

De início, é válido destacar que a falta de apoio efetivo do poder público contribui para o avanço do tema. Nesse sentido, o aumento do desemprego reduz a capacidade de compra da população, como produtos básicos para sua subsistência. Dessa maneira, a escassez e a carência de recursos financeiros para as classes mais afetadas pela pandemia, como o auxílio emergencial, promoveru a disparidade da fome no país. Sendo assim, é lícito referenciar a filósofa Hanna Arendt ao afirmar que “A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. Obviamente, o direito a alimentação na atualidade é negligenciado pela máquina pública.

Outrossim, sabe-se que a desigualdade social é consoante ao agravamento de tal imbróglio. Nesse contexto, a crise da saúde atual afetou de forma abrupta às classes vulneráveis, como a periferia dos centros urbanos, seja no âmbito econômico, seja no social. Em contrapartida, os proprietários de privilégios, os próprios possuem maiores poderes de consumo, se mantiveram estáveis, de tal maneira que grande parte não prestou ajuda, tanto financeira quanto de programas sociais às famílias carentes. Assim, é lícito referenciar o filósofo Max Weber ao afirmar que a mudança nas realidades da conjuntura social depende da coercitividade entre seus membros. Logo, urge pela cooperação das classes altas em benefício das demais, assim como poderia ter ocorrido em “O poço”.

Destarte, para reduzir a questão da fome em tempos de pandemia, é preciso que o Governo, por meio do Ministério da Economia, destine maiores verbas às famílias desempregadas e em situação de vulnerabilidade, como a melhoria do auxílio emergencial, a fim de que esses têm acesso aos itens básicos de necessidades. Além disso, é necessário que às classes mais privilegiadas criem ações sociais, como a distribuição de cestas básicas em áreas periféricas, por exemplo, sendo possível, dessa forma, promover a redução das desigualdades sociais e minimizar a fome no país.