A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 18/11/2021

De acordo com a primeira lei de Newton, referente a inércia, a tendência de um corpo é permanecer em movimento até eu haja uma força capaz de mudar seu percurso. Em outro contexto é possível perceber a mesma condição no que concerne a questão de fome em tempos de pandemia, seguindo sem intervenções aptas de mudar seu trajeto.

Diante dessa perspectiva faz-se imperiosa a análise da ausência de medidas governamentais em consonância dos prejuízos nutricionais gerados, resultante dos desempregos ocasionados pelo vírus. Diante desse cenário, pode-se dizer que o ambiente social deve ser igualitário e justo, fatores que não são considerados uma realidade quando visto a existência de pessoas em situação de rua pedindo alimentos. Segundo as ideias do filosofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não desempenha corretamente sua função de garantir direitos essências, como a alimentação. Nesse sentido, fica claro que há um déficit na efetividade de deveres que existem na teoria, mas que não são colocados em prática, prejudicando parcela da população de menor renda.

Ademais, convém frisar que essa realidade decorre trazendo prejuízos para a saúde pública, levando ao aumento epidemiológico com quadros de desnutrição e patologias imunológicas, submetendo o sistema de saúde à gastos que poderiam ser evitados. Consoante a filosofa francesa Simone de Bauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles, Nessa linha de pensamento há uma neutralização da sociedade, visto que mesmo sendo notório os prejuízos resultantes dessa realidade, a desigualdade continua a fazer presença em uma era tão desenvolvida.

Depreende-se, portanto, a necessidade mecanismos capazes de erradicar a situação de fome vivida por grande parte da sociedade. Para isso, é imprescindível que o governo por intermédio das prefeituras municipais, utilize os espaços vagos da cidade para a realização de feiras autossustentáveis – espera-se que o projeto seja idealizado por meio do trabalho dos próprios consumidores, no qual, a população de baixa renda se inscreva e receba de seu serviço, legumes, verduras, derivados do leite e grãos- a fim de reduzir a questão de fome e custos com tratamentos que poderiam ser evitados, custeando apenas com os insumos necessários para a produção. Logo a Inércia não será mais uma realidade, consolidando-se uma sociedade mais humanizada, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social” tal como afirma John Locke.