A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 19/11/2021
De acordo com o artigo 6º da Constituição Brasileira, é direito de todo cidadão o pleno acesso à alimentação adequada para, no mínimo, garantir sua sobrevivência. Contudo, a questão da fome no contexto da atual pandemia de COVID-19 tem crescido de forma exponencial no país, contrariando um direito que é assegurado pela legislação. Tal crueldade tem como causas, por exemplo, a falta de empatia na sociedade contemporânea e de apoio estatal.
Em primeiro plano, é preciso destacar um fato que ocorreu este ano: no ápice da fome no Brasil, a população mais carente formou filas nos supermercados em busca de ossos e restos para conseguir se alimentar no dia. Devido à alta procura, os donos dos estabelecimentos começaram a vendê-los, o que configura uma extrema falta de empatia, que pode ser comparada com a teoria do fetichismo da mercadoria, do sociólogo Karl Marx, que diz que tudo pode ser transformado em produtos para venda.
Pararelo a isso, é perceptível a falta de apoio estatal que as pessoas mais necessitadas sofrem. De acordo com dados disponibilizados pelo Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar, mais de 55% da população sofre ameaça dos direitos à alimentação, sendo que a maior parte são mulheres negras, chefes de família e com baixa escolaridade. Ademais, o governo ainda não tem nenhum plano para tentar diminuir esse índice, que mostra um descaso por parte do Estado.
Portanto, percebe-se uma urgência no que tange à resolução dessa problemática. Para isso, cabe ao governo federal, em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos, a criação de um plano de distribuição de cestas básicas para as pessoas que precisam, por meio de verbas governamentais, a fim de ajudar a população e fornecer segurança alimentar. Desse modo, legitimar-se-á a constituição vigente no país, garantindo o acesso aos alimentos pelo povo.