A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 23/11/2021

A pandemia de covid-19 agravou a situação de insegurança alimentar no mundo, aponta um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) . De acordo com a entidade, entre 720 e 811 milhões de pessoas passaram em 2020, cerca de 118 milhões a mais do que no ano anterior.

Sob esse viés, em primeiro lugar, é importante ressaltar os fatores que contribuem para esse mal. Um deles é o crescimento econômico, insuficiente para acabar com a pobreza no Brasil. Isso acontece, principalmente, devido à concentração de renda, que faz com que se perpetue a desigualdade social, que muitas vezes tem como consequência a fome e a miséria.

Consequentemente, devemos destacar a instabilidade política, a má administração dos recursos públicos e a injusta estrutura fundiária, que impossibilitam o acesso dos trabalhadores aos meios de produção e concentram as terras nas mãos de poucos. Ademais, as próprias causas naturais, como clima, desastres ambientais, pragas e inundações, são responsáveis por acentuar o problema da fome no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, apesar de não serem tão expressivas quanto a ação humana.

Interfere-se, portanto, que as políticas de promoção da segurança alimentar devem ser pensadas como parte de um projeto alternativo de desenvolvimento, que tenha como eixo central a promoção de um crescente processo de inclusão social. Então, o Governo deve repensar projetos sociais a curto prazo, reformulando antigas iniciativas, como o Fome Zero e o Bolsa Família, além de, a longo prazo, pensar em outras maneiras de distribuição de renda e reforma agrária. Quanto à sociedade, cabe a solidariedade, principalmente por meio de campanhas de doações, em parceria com a mídia e com as inúmeras ONGs espalhadas pelo País.