A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 23/01/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela fome em tempos de pandemia é, amíude, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a recessão econômica decorrente da pandemia.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a fome em tempos de pandemia. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à atuação insuficiente do Estado, são necessários programas governamentais efetivos que solucionem as às situações de insegurança alimentar e nutricional das pessoas em situação de vulnerabilidade, a exemplo, têm-se atualmente o auxílio emergencial ofertada na pandemia. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal. Outrossim, é igualmente preciso apontar a recessão econômica decorrente da pandemia como outro fator que contribui para a manutenção da fome nesse referido momento. Posto isso, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas, a fome mundial em 2020 foi agravada, com a estimativa de que um décimo da população global, até 811 milhões de pessoas, sofreram com a fome no ano passado. Diante de tal exposto, em razão da pandemia e de medidas necessárias, como o lockdown, muitas pessoas perderam seus empregos e a economia reduziu em muito sua atividade produtiva, agravando a situação de fome das pessoas mais desassistidas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a questão da fome em tempos de pandemia. Dessarte, a fim de garantir segurança alimentar para as famílias carentes, é preciso que o Estado, por meio dos Executivos Federal, Estadual e Municipal, garanta o fornecimento mensal de cestas básicas com alimentos suficientes para propiciar o aporte nutricional adequado às famílias em situação de vulnerabilidade, por meio dos Centros de Referência em Assistência Social, que cadastrarão as famílias e distribuirão os referidos mantimentos, especialmente em tempos de pandemia. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.