A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 30/01/2022

A formação socioespacial brasileira, a colonização e a escravidão são fatores históricos que explicam a desigualdade no Brasil. Nesse sentido, o país sempre sofreu com a fome e a miséria, que, consequentemente, aumentou nos tempos de pandemia, onde 19 milhões de brasileiros não possuem acesso à uma alimentação adequada. Dessa forma, a fome não só contribuiu para o surgimento de doenças como a desnutrição e anemia, como também afetou o desenvolvimento infantil e a dignidade humana.

É de praxe que, a negligência governamental está presente no cotidiano da sociedade brasileira desde os primórdios, porém com o início da pandemia, taxas de desemprego, pobreza e fome aumentaram. Ademais, a falta de campanhas sanitárias contra o Coronavírus, o distanciamento social e a inflação alta colaboraram para a vulnerabilidade econômica de muitas famílias brasileiras. Logo, o combate a fome se torna um processo cada vez mais lento e difícil de se superar.

Outrossim, um terço dos alimentos produzidos em escala mundial é descartado em condições de consumo humano, o que sustenta a desigualdade ao redor do mundo, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil, no qual a comunidade preta ou parda, rural e de baixa escolaridade é atingida. Como resultado, a pandemia prejudicou o índice de aprendizagem nas escolas, trouxe à tona doenças como o transtorno de ansiedade, depressão, desnutrição e anemia, e restringiu o direito a alimentação e a dignidade, já que alimentos básicos ficaram mais caros e inacessíveis para a grande parte da população brasileira, tanto que houve a substituição do cardápio ou a ausência do mesmo. No entanto, cestas básicas oferecidas por ONGS na pandemia, garantiram a refeição de várias famílias em diferentes regiões do país, que hoje dependem da mesma para sobreviver.

Em suma, cabe ao governo e ao Ministério da Saúde desenvolverem projetos que priorizem o combate a fome, visto que ela fragilizou a saúde mental e física da sociedade brasileira, em tempos que as pessoas precisam estar com a imunidade preparada. Nesse contexto, por meio de campanhas solidárias de doações de alimentos, da oferta de atendimento psicológico, médico e social em áreas afetadas pela extrema pobreza e da educação sanitária através de palestras, é possível contornar o crescimento da miséria no Brasil.