A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 18/02/2022

O livro “Quarto de Despejo”, de Caroline Maria de Jesus, retrata a fome e a miséria como companheiras diárias da protagonista. De forma análoga, este preceito iguala-se a fome em tempos pandêmicos, principalmente no Brasil, visto o aumento significativo no percentual da extrema pobreza. Desse modo, é nítido que as proporções da problemática se desenvolveram tanto em virtude da alta na taxa de desemprego, quanto do aumento da desigualdade social no país.

Em primeira análise, é válido postular o aumento da porcentagem de desemprego em plena pandemia. Segundo o G1, em um ano de pandemia, por hora, em média 377 de brasileiros perderam o emprego. A partir desse pressuposto, é notório como a falta de empregos anda atrelada a questão de fome, visto que sem oportunidades de trabalho, não há dinheiro para a alimentação básica. Desse modo, fica explícito que o trabalho e a fome comportam-se como grandezas diretamente proporcionais, onde o aumento de uma, provoca a elevação da outra.

Ademais, a desigualdade social também pode ser citada como promotora da problemática. Pois, de acordo com o website BCC, cerca de 50% da população brasileira, possui menos de 1% da riqueza do país, enquanto 1% da população mais rica, concentra mais da metade das riquezas. Nessa perspectiva, é alarmante como a diferença de renda e concentração de riqueza se apresenta, trazendo consigo a fome para a população em situação de extrema pobreza. Onde, várias famílias sobrevivem com menos de um salário mínimo, enquanto outras, através, geralmente, da exploração da parte mais fragilizada, vivem em extremo luxo.

À vista disso, faz-se essencial a atuação do Estado para que a situação seja melhorada. Para isso, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será convertido na realização de concursos públicos, a fim de que, com o aumento das oportunidades, a taxa de empregos aumente. Além disso, o Ministério da Cidadania deve realizar projetos sociais, como a fome zero, com a finalidade de diminuir o impacto do problema. Portanto, dessa forma, será possível construir um país mais igualitário, e a fome poderá ser reduzida somente ao mundo ficcional.