A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 21/02/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase quando se observa a fome no período da pandemia, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da negligência governamental e consequentemente a desigualdade causada pela fome no contexto brasileiro.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a negligência governamental como impulsionadora do problema, por causa da ineficácia de políticas públicas que está em desacordo com a Constituição Federal de 1988. Nessa perspectiva, Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso no corpo social. Analogamente à obra, o Estado que não cumpre suas obrigações, tenderá a fazer com que o corpo social seja desigual e que haja grande exclusão social. Portanto, é inadmissível a ineficácia do governo em não garantir os direitos básicos da população brasileira.
Ademais, é fundamental apontar que a fome é uma das grandes responsáveis pela desigualdade social causada no Brasil. De acordo com Milton Santos, existem apenas duas classes sociais, os que não comem e os que não dormem com medo da revolução dos que não comem. Desse modo, é evidente que a fome faz parte do cotidiano brasileiro e foi potencializada pela pandemia, por causa dos grandes aumentos nos preços dos alimentos básicos da dieta do brasileiro. Logo, uma intervenção torna-se substancial para conter os desafios do quadro hodierno.
Depreende-se, dessa forma, a urgência de ação interventiva para amenizar a questão. Para isso, o Ministério da Saúde junto com as escolas, deverá investir em campanhas e jogos educativos, por meio de uma semana com o tema sobre o aumento da fome na pandemia, a fim de popularizar, compreender como a pandemia afetou significadamente o cardápio do brasileiro e problematizar as suas consequências. O evento deverá ocorrer em escolas do ensino fundamental e ensino médio para mobilizar toda a população e, somente assim, se consolidará uma sociedade mais justa e igualitária.