A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 05/03/2022
O livro “Quarto de Despejo” escrito por Carolina Maria de Jesus expõe a situação de fome e miséria que a autora e seus filhos passavam durante a década de 60 no Brasil. Não distante no tempo, a fome ainda continua latente na sociedade brasileira e teve seus efeitos agravados devido a pandemia, a qual exigiu o fechamento de escolas e o aumento do desemprego.
Em primeira análise, é notável que o aumento do desemprego no Brasil, tendo em vista o fato de que com a pandemia muitas empresas foram a falência, agrava a situação de fome de muitas famílias, uma vez que há a perda da sua principal fonte de renda. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de desemprego chegou a 14,7% nos três meses até fevereiro, de 13,9% nos últimos três meses de 2020. Assim, torna-se claro que desemprego e alimentação estão condicionados entre si, já que sem o salário as pessoas não conseguem comprar os alimentos necessários para a sua saúde e nutrição.
Outrossim, é evidente que muitas pessoas, principalmente crianças, jovens e adolescentes dependem das refeições proporcionadas pela escola. Segundo relatório “Cenário da Infância e Adolescência no Brasil”, da Fundação Abrinq, cerca de 47,8% das crianças brasileiras vivem na pobreza. Assim, é notável que o fechamento das escolas ocasionadas pela pandemia deixou mais de 40% das crianças brasileiras em situação de extrema pobreza e desnutrição, uma vez que a única fonte de alimento dessas crianças era as refeições escolares.
Portanto, a partir dos dados supracitados, é importante que o Governo Federal por meio do Miniestério da Educação e Trabalho elaborem medidas que visam a diminuição da pobreza no Brasil. Entre as medidas, destaca-se o oferecimento de cestas básicas, por meio de verbas públicas, para a população mais vulnerável. Assim, o direito à alimentação previsto no artigo 6º da Constituição Federal Brasileira de 1988 estará garantido.