A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 23/03/2022

Dentre os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, documento feito pelas Nações Unidas na Agenda 2030, uma das metas é erradicar a fome em até 8 anos. Essa medida é crucial frente à atual situação do crescimento da fome com a chegada da pandemia no país, um cenário que contribuiu para agravar as desigualdades sociais e reforçar a marginalização social dos mais pobres.

Nesse sentido, é essencial analisar as causas dessa problemática, sendo uma das principais a acentuação das desigualdades socioeconômicas, provocada pela pandemia. Essas disparidades impactaram majoritariamente na perda de renda das classes menos favorecidas, segundo a pesquisa da Agência Brasil, que revelou a perda de 21,5 % da renda das famílias mais pobres. Assim, infere-se que a perda de renda somada a fragilidade das políticas de assistência governamentais resultam no atual cenário de exclusão da parcela menos privilegiada da população, revelando um cenário que necessita de intervenção estatal e social para que essa dura realidade seja modificada de fato.

Sob esse viés, também é necessário citar a distribuição inconsciente da produção de alimentos brasileira, que prioriza a exportação frente às necessidades da população. Essa questão é mostrada no levantamento da FAO (Braço das Nações Unidas para Agricultura), mostrando que a produção nacional é suficiente para alimentar 1,6 bilhão de pessoas, revelando uma realidade paradoxal em que um país caracterizado pela enorme produção de generos alimentícios como o Brasil regressa ao mapa da fome. Assim, percebe-se que uma melhor análise da distribuição da produção de alimentos é fundamental, visto que essa gestão deve atingir o equilíbrio entre a exportação e o consumo interno.

Logo, sabendo que o combate à fome deve ser prioridade no Brasil, é vital que o Ministério da Cidadania amplie os projetos de assistência social voltados à mitigar a carência alimentar em comunidades carentes, como a ampliação da doação de cestas básicas a todos que se encontram em situação de vulnerabilidade. Também é viável o estímulo ao crescimento do comércio no mercado interno, pelo Ministério da Economia, para que com o aumento da oferta o preço dos alimentos caia, facilitando o acesso da população mais carente aos generos alimentícios.