A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 16/03/2022

O sociólogo e ativista social Herbert de Souza, o Betinho, já dizia: “quem tem fome, tem pressa”. No Brasil a fome é um problema histórico que se agudizou após a pandemia da COVID-19. As medidas de isolamento para conter o avanço do vírus paralisaram grande parte das atividades laborativas. Ademais o grande percentual de brasileiros inseridos no mercado informal de trabalho e a escassez de políticas públicas que pudessem oferecer suporte à população mais vulnerável foram fatores que contribuíram para a preocupante situação de insegurança alimentar no país.

De acordo com dados recentes de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira garante sua renda através do trabalho informal. De súbito a pandemia evidenciou a gravidade desta problemática, pois com a interrupção da maioria das atividades de trabalho, as pessoas que vivem na informalidade ficaram sem condições de garantir sua subsistência. Diferentemente daqueles atuam no mercado formal e que em alguma medida tiveram sua renda garantida nos momentos mais críticos do isolamento social imposto como necessária medida sanitária. Nesse contexto a fome passou a ser parte da realidade de um número ainda maior de famílias brasileiras.

Ademais, a escassez de políticas públicas consistentes que fossem capazes de atender a população que estava em risco ou em situação de insegurança alimentar em tempo hábil aprofundou o cenário da fome no país. Com o objetivo de responder essa demanda, o Governo Federal lançou o Auxílio Emergencial que foi um benefício em dinheiro para aqueles que estavam sem renda durante o período. No entanto, o benefício demorou a ser liberado. Além disso, segundo estudo publicado pela Fundação Getúlio Vargas, a população mais pobre não conseguiu acessar o benefício por diferentes motivos, sendo