A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 18/03/2022

Na obra “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, a protagonista vive em condi- ção de miséria, o que é evidenciado pela alimentação restrita e precária. Não obs-tante à narrativa, no Brasil, a fome é uma realidade na vida de muitos cidadãos, a qual se intensificou com o contexto pandêmico. Assim, a ausência da intervenção governamental e a negligência com a segurança alimentar e nutricional são que propiciam a constância desse cenário caótico.

Desse modo, vale ressaltar que o governo precisa intervir nesse problema. Segundo John Locke, filósofo inglês, o direito à vida, à propriedade e ao trabalho são direitos primordiais. Ao encontro de Locke, a ausência de ações efetivas, para garantir esses direitos, coopera para a intensificação do desemprego e, por conse-guinte, da fome, o que ameaça a vida dos brasileiros. Fica claro, pois, que o poder público deve promover a integração social desses indivíduos, a fim de os afastar da vulnerabilidade social e da miséria.

Outrossim, a sociedade moderna vive em constante insegurança, o que é refleti-do no âmbito alimentar. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo contemporâ- neo, a modernidade liquída é marcada pela insegurança e instabilidade nas rela- ções sociais. Nesse viés, a negligência com a segurança alimentar, característica da modernidade, fomenta o crescimento da fome, uma vez que não há um planeja- mento para suprir a necessidade da população, a qual apresenta um déficit nutri-cional crescente. Dessa forma, a organização das autoridades é necessária para ga- rantir a alimentação à sociedade com segurança.

Portanto, medidas devem ser tomadas para sanar a questão da fome no contex- to pandêmico atual. Logo, o Governo Federal deve criar políticas públicas que solu- cionem esse problema, por meio da criação de novos postos de trabalho, destina- dos à população em situação de vulnerabilidade social, e da construção de auxílios sociais que combatam a fome no Brasil. Assim, com o intuito de construir relações sociais seguras e de condicionar a segurança alimentar e nutricional no país, si-tuações como as vivenciadas pela protagonista de “A hora da estrela” não serão mais uma realidade constante.