A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 24/05/2022

A fome: o virus que mais mata

A obra “Geografia da fome” escrita em 1946 pelo médico e geográfo Josué Castro, expõem o quadro deprorável de fome no Brasil na metade do seculo XX, enfatizando as suas origens socioeconômicas. Na pandemia da Covid-19 essa situação ainda é uma realidade. Diante dessa perspectiva de uma questão tão atemporal faz-se imperiosa a discussão dessa problemática.

Em uma primeira análise, deve-se destacar a ausência de medidas governamentais para combater a fome, nessa perpectiva o sociólogo “Bentinho” afirma que a alma da fome é a politica ou a ausência dela. Atualmente o Brasil não conta com uma politica publica voltada para temática, assim como um núcleo especializado na temática, já que em 2019 o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que tinha atribuição de propor ao governo federal diretrizes e prioridades da política de segurança alimentar e nutricional foi extinto.

Ademais é fundamental pontuar as consequências do desemprego no que tange à fome, a pandemia repercutiu em milhares de pessoas sem condições para adiquirir alimentos básicos, tendo que se submeter a comprar carcaças ou restos de alimentos como mostrado nos principais jornais do Pais ou depender exclusivamente de programas do governo como o Auxílio Brasil para garantir a renda. Na pesquisa “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação de segurança alimentar no Brasil”, realizada em 2020, 59% dos entrevistados estavam em condições precárias e já enfretavam os reflexos do desemprego e infelizmente da fome.

De prende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos para isso, é imprescindível que o governo reative o núcleo Consea, construa comissões permanentes em parceria com o ministério do trabalho que deliberem e discutam politicas publicas através de reuniões, objetivando estratégias de redução da fome, assim a realidade escrita em 1946 por Josué Castro poderá ser modificada.