A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 04/04/2022

Manoel de Barros, poeta pós modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica consiste em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, faz-se necessário, assim, valorizar a questão da fome em tempos de pandemia. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e o desemprego estrutural.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar a forma como parte do Estado costuma lidar com a subalimetação frente ao período pandêmico. Segundo Gilberto Dimentein, em sua obra “cidadão de papel”, a legislação é ineficaz, visto que, embora aparenta ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, o auxílio à alimentação. Tal realidade é percepetível seja pelo pequeno apoio jurídico e segurança alimentar, seja pela falha na contenção da crise sanitária que agrava a fome no mundo.

Ademais, é preciso apontar o desemprego estrutural, nos moldes predominantes do mundo, como outro fator que contribui para a perpetuação do entrave em questão. Segundo o artigo 23 da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego e à proteção contra o desemprego. Entretanto, a introdução de novas tecnologias e processos voltados para a redução de custos aliados à pandemia no mundo, impede que esse direito seja exercido devidamente, de modo a aumentar, exponencialmente, o desemprego e, consequentemente, o número de pessoas com insegurança alimentar no mundo.

Em suma, são necessárias medidas de combate à fome e à pandemia no planeta. Logo, é imprescindível que os Estados Nacionais, provedores do bem-estar social, por meio de verbas governamentais, desenvolvam um programa de auxílio-alimentação em tempos de pandemia, a fim de fornecer assistências para as pesssoas desempregadas e aquelas que passam por necessidades. Outrossim, cabe as empresas multinacionais, por meio de incentivos fiscais, oferecer cursos de capacitação profissional aos cidadãos, a fim de adequa-los a nova realidade de empregos no mundo, de modo a erradicar esses impasses de uma vez por todas.