A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 31/03/2022

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política Ordem e Progresso exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez a fome em tempos de pandemia resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia, solidificam tal mazela.

Em primazia, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a assistência aos desamparados é um direito social.No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade, incluindo cidadãos que , em momento pandêmico, não possuem condições financeiras pra sustentar suas devidas famílas, o que acarreta a fome. Esse sofrimento ocorre pelo escasso serviço estatal a respeito da disponibilização de auxílios básicos para pessoas que estão passando por necessidades.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, a falta de alimentos em supermercados, devido à compra exagerada de alimentos por parte de cidadãos desesperados a ponto de fazer tal alvoroço, o que enfatiza um grande pensamento indivual de boa parte da sociedade.

Diante do supramencionado, urge que o Poder Público formule e implemente políticas eficientes, no que tange à promoção da dignidade aos desempregados e desamparados no momento pandêmico, por meio do oferecimento de auxílios financeiros a aqueles em situação de vulnerabilidade, para que seja possível assegurar o cumprimento de seus direitos básicos, como a alimentação.