A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 01/05/2022

A obra do escritor português José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”, publicado em 1995, retrata a história de uma epidemia de cegueira (que não tem origem biológica), a qual faz alusão ao egoísmo e ao desprezo dos seres humanos. Nota-se que esse ideal literário está próximo da realidade brasileira, já que ainda existem pessoas que passam fome no país e no mundo. Dessa maneira, é necessário entender os motivos dessa problemática para amenizá-los.

A princípio, é importante destacar que a Revolução Verde surgiu com a intenção de aumentar a produção alimentícia e erradicar a fome do mundo. Entretanto, percebe-se que essa mudança na tecnologia do meio rural teve efeito contrário ao proposto, pois isso aumentou a desigualdade social. Nesse cenário, segundo a CNN, a pandemia de coronavírus intensificou ainda mais o índice de pessoas com fome no Brasil, o qual beira os 20 milhões de cidadãos nessa situação. Desse modo, a omissão do Poder Público contribui para o aumento da pobreza e da desigualdade social, uma vez que faltam políticas públicas adequadas.

Além disso, vale ressaltar que a Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, em 1948, assegura a todos os indivíduos dignidade, seja na saúde ou no bem-estar social. No entanto, na prática, essa Declaração não se aplica a todos os indivíduos. Nesse contexto, de acordo com a CNN, mais da metade da sociedade brasileira vivem com a insegurança alimentar, o que é um problema de saúde pública, pois a má alimentação aumenta o risco de desenvolver doenças crônicas e mentais, que tendem a sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, o problema da fome no Brasil, é intensificado pela população, já que muitos não reduzem o desperdício de alimentos.

É notável, portanto, que a fome no Brasil necessita, com urgência, de medidas para amenizar esse problema. Logo, o Governo Federal, junta à mídia, deve criar campanhas publicitárias esclarecedoras, por meio de profissionais especializados, como médicos, psicólogos, nutricionistas e agentes sociais, a fim de reduzir a negligência populacional e divulgar a ampliação das políticas públicas, com a criação de hortas comunitárias em áreas públicas desocupadas. Nesse sentido, as pessoas não serão mais “cegas” como na obra de José Saramago.