A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 05/06/2022

Em março de 2020 o Brasil se viu em meio a uma pandemia, causada pelo vírus COVID-19. Após se espalhar por todo o mundo, o coronavírus forçou rápidas reações em decorrência da sua acelerada transmissão. Por conta disso, milhões de brasileiros foram obrigados a permanecer em suas casas, em prol da saúde coletiva. Porém, com tudo fechado, milhares de cidadãos perderam seus empregos, e se viram de uma hora para outra sem nenhuma fonte de renda. Com isso, o acesso a recursos básicos ficaram cada vez mais limitados, inclusive a alimentação, aumentando o sério caso de fome no Brasil, ainda mais evidenciado pela desigualdade socila e o despreparo do Estado para lidar com uma pandemia.

Sob o conceito de “modernidade liquída” de Zugmund Bauman, a sociedade em que vivemos anda em um grande fluxo de informações, conflitos e bens materiais. Portanto, tudo o que é consumido, rapidamente é substituído, razão que explica, assim, a desigualdade social e evidência a fome em tempos pandêmicos. Pois, enquanto uns consomem e descartam, respeitando a fluidez da filosofia, outros correm atrás de uma única chance de alimentar a família.

Sendo assim, a fome é a representação mais primitiva do mal, enquanto pessoas, no mundo inteiro, estiverem passando por carrência alimentar, mais a crueldade do homen será escancarada. Um direito tão básico, e essencial à vida negado ao seu igual, vai contra os preceitos esclarecidos por Hanna Arent, em seus escritos sobre a “banalidade do mal”. Pois, o ser humano é cruel com sua própria espécie e banaliza suas ações somente por não compreenderem sua profundidade.

Em conclusão, com base na hipótese apresentada e nos autores citados, é de responsabilidade do Estado, realizar programas de alimentação de qualidade nas regiões mais carentes do país, impedindo que mais brasileiros passem pelo mal da fome. Além disso, garantir empregos aos cidadãos é uma forma de diminuir a desigualdade social, e dar recursos a essas pessoas para que possam comprar o próprio alimento e assim saciar a fome se sua família.