A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 18/06/2022

A Costituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito a alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da fome em tempos de pandemia, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se necessário a análise dos fatores que favorecem a permanência desse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o crescente aumento dos preços na alimentação básica brasileira. Nesse sentido, durante o início da pandemia, alimentos como o arroz - que aumentou 56% seu valor, de acordo com o site de notícias da G1 - que consitui um dos componentes do prato popular brasileiro, aumentou significativamente o seu preço, tornando, assim, inviável que a camada mais pobre tenha acesso a alimentos de boa qualidade.

“Não dividiria com qualquer animal, prato de domingo a carne assada principal, mesmo um mendigo elegante da rua”. Conforme mostra o cantor Marcelo Falcão, na música “Hóstia”, o Brasil vive uma intensa falta de solidariedade apoiada no “sentimento infantil de proteção” que seria a religião, fato esse, que contribui para o aumento da fome, pois aqueles que tem condições de ajudar e ofertar comida não o fazem, pois tem a sensação de dever cumprido pela prática da crença individual.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprenscidível que o governo, por meio da Câmara dos Deputados, retire impostos federais sobre alimentos básicos, por meio de votações dentro do próprio, afim de diminuir os preços do prato popular brasileiro, garantindo, assim, saúde e melhores condições de vida para a camada mais pobre. Além disso, faz-se necessário que os líderes religiosos tenham consciência sobre a necessidade de ajudar aos menos afortunados e venham a instigar isso na sua comunidade, por meio de doações, afim de não mais ter o “sentimento infantil” propiscido pela hóstia, como dizia Marcelo Falcão, mas uma verdadeira compaixão para o próximo.