A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 11/09/2022

Na obra:“Quarto de despejo”, a autora Carolina de Jesus, retrata o cotidiano da favela do Canindé, onde a população, socialmente invisível, sofre com a fome e a miséria. O livro apresenta tom factual, uma vez que desenha o grave quadro da fome no Brasil,atualmente, agravado pela pandemia do coronavírus. Dessa forma, é válido analisar o que motiva a insegurança alimentar, bem como seu maior impacto social durante a pandemia no Brasil.

Diante desse cenário, é nítido que a redução do número de postos de trabalho remunerado ,favorecido pela atual crise sanitária mundial, acentua a questão da fome. Isso porque, a população mais pobre ,que depende de empregos temporários e informais para sobreviver, tem sua fonte de renda comprometida tornando inviável a compra de alimentos e o sustento da própria moradia. Essa problemática pode ser exemplificada segundo dados da organização Brasil sem fome, que revelam que em 2 anos de pandemia surgiram 14 milhões de novos famintos, fruto, sobretudo, da redução de renda.

Ademais, é notório que o agravamento de mazelas socias é o principal impacto da insegurança alimentar.Tal fato ocorre porque a falta de alimentação diária acentua o quadro de vulnerabilidade social desta parcela da sociedade aumentando sua suscetibilidade a outros problemas socias, como crises sanitárias causadas por doenças. Essa questão pode ser explicada segundo o sociólogo Josué de Castro, que trata a fome como principal fundamento que mantém o país em subdesenvolvimento e escancara suas disparidades

É fundamental, portanto,que a sociedade atue a fim de reverter esses problemas.

Assim, cabe ao Ministério da Economia, como orgão regulador do bem-estar econômico do país, o dever de promover incentivos fiscais,ou seja, deduções de impostos, a empresas e pequenos négocios que suscitaram novas vagas de trabalho, por meio de parcerias público privadas, para que o quadro da fome seja atenuado. Ademais, cabe às ONG´s a necessidade de articular campanhas para arrecadar alimentos em comunidades em situações precárias, por intermédio de anúncios no rádio e televisão,devido a seu amplo alcance, com o fito de combater a insegurança alimentar nas “linhas de frente” do país.