A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 19/08/2022

Na obra “Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein afirma que a verdadeira democracia é a que respeita os Direitos Humanos em sua totalidade. No entanto no Brasil essa garantia existe apenas no papel visto que na crise provocada pela pandemia de covid-19 a fome se intensificou entre as famílias pobres do país. Nessa perspectiva, é mister que o governo tome providências e que a sociedade adote medidas e ações que mitiguem essa realidade.

Segundo o site G1, numa notícia divulgada em 25/07/2021, um açougue de Cuiabá que, há dez anos, distribuía osso com retalhos de carne uma vez por semana agora o faz três vezes e a fila para receber somente cresce. Na mesma notícia, divulgam-se os aumentos nos preços do arroz e do feijão preto de 56% e 71%, respectivamente. Dessa forma, fica difícil para as famílias pobres conseguirem alimentar-se, um direito constitucional garantido pela Constituição Federal, promulgada em 1988, em seu artigo sexto, mas que vem sendo descumprido.

Outrossim, um relatório da ONU, disponível no site da UNICEF, postula que 30% de toda a população mundial não tinha alimentação adequada em 2020, sobretudo na Ásia e na África. No caso brasileiro, segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, 55, 2% da população vem sofrendo ameaças ao direito aos alimentos, situação mais grave nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste, decorrentes da crise sanitária espalhada na nação como afirma Ana Maria Segall, representante da Rede Penssan.

Desse modo, o governo por meio do Ministério da Cidadania crie políticas que possam melhorar a renda das famílias mais pobres. Essas políticas devem também promover a qualificação profissional dessas famílias para combater o desemprego. À sociedade cabe organizar campanhas on-line, convidando os cidadãos e empresários a refletir e a realizar doações de alimentos e ações que também contribuam para que todos as pessoas possam se alimentar adequadamente. Só assim, a teoria de Gilberto Dimenstein poderá ser questionada e o artigo sexto da Constituição Cidadã deixe de ser uma utopia para a população nacional.